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Polícia Militar forma comissão para enfrentar violência contra mulher

A Comissão Temporária de Estudos e Implementação de Medidas Administrativas e de Segurança é destinada à defesa das policiais militares da corporação e das civis que colaboram com a instituição

Fabíola Cristiane de Almeida de Souza por Fabíola Cristiane de Almeida de Souza
27 de março de 2026
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Polícia Militar forma comissão para enfrentar violência contra mulher

A Polícia Militar do Pará realizou na tarde desta quinta-feira (26) o evento “Elas na Linha de Frente”, no auditório do Comando de Missões Especiais (CME), em Belém, para homenagear a trajetória das mulheres militares no Pará, destacando a presença das pioneiras que abriram caminhos, quebraram barreiras e hoje inspiram novas gerações na corporação. Na ocasião, foi anunciada a criação da Comissão Temporária de Estudos e Implementação de Medidas Administrativas e de Segurança para enfrentar a violência contra o efetivo feminino.

O evento contou com a presença do chefe do Estado-Maior Geral da Polícia Militar do Pará, coronel QOPM Ariel de Barros, que abordou, entre outros temas, a importância das mulheres na PM do Pará. “Sabemos da importância da policial militar feminina na PM. Sabemos que vocês têm um olhar diferenciado que o nosso policial, às vezes, não tem. A instituição tem uma preocupação muito grande com cada uma”, disse o coronel.

Ele citou a criação da Comissão Temporária de Estudos e Implementação de Medidas Administrativas e de Segurança, pela Portaria n° 79/2026-GAB CMD, voltada ao enfrentamento à violência contra mulheres, em defesa das policiais militares da corporação e das civis que colaboram com a instituição. A Comissão é composta exclusivamente por policiais femininas.

Presença histórica – O evento celebrou a trajetória das mulheres na Polícia Militar do Pará, desde 1982 até os dias atuais. A 1º tenente PM Luciana Mazé, auxiliar da 5ª Seção do Estado-Maior da PM, abordou a história da presença feminina na instituição, recordando o ingresso da primeira turma de 57 mulheres, em 1982.

A oficial ressaltou o avanço da presença de mulheres, destacando que, em 2022, nos 40 anos do ingresso de policiais femininas na PM, a corporação alcançou 1850 mulheres. “Mais do que uma memória institucional, este encontro é um espaço de valorização profissional e reflexão sobre as políticas de proteção e acolhimento à mulher policial”, disse Luciana Mazé.

A tenente-coronel PM Helen Souza, subchefe do Centro Integrado Psicossocial (Ciap), enfatizou os dados atuais sobre feminicídio, apontando a necessidade da denúncia, para que os números oficiais reflitam a realidade.

Segundo ela, “é crucial combater essa subnotificação, pois os dados oficiais são a base para as políticas públicas. Precisamos compreender melhor essa realidade e buscar esses números, a fim de desenvolver um trabalho que atenda às reais necessidades da população. Acredito que momentos como este, realizados hoje, contribuem para a melhoria do trabalho dentro da corporação. Este momento é de suma importância, pois permite a disseminação de informações e o esclarecimento de dúvidas, inclusive entre as policiais militares”.

Acolhimento – Ainda no evento, foram apresentadas as oficiais e praças que compõem a Comissão Temporária de Estudos e Implementação de Medidas Administrativas e de Segurança, destinada a reforçar o ambiente de acolhimento e amparo ao efetivo feminino na corporação.

O objetivo da Comissão será estabelecer, após a fase de estudo, um fluxo integrado entre as unidades, Corregedoria-Geral, Departamento-Geral de Pessoal (DGP), Corpo Militar de Saúde (CMS) e Centro Integrado de Atenção Psicossocial (Ciap), com a notificação oficial dos casos, adotando um protocolo de “tolerância zero”, que rompa o silêncio institucional e garanta a dignidade de todas as mulheres que compõem ou interagem com a Polícia Militar.

À frente da Comissão está a tenente-coronel Lindiany Baía, chefe da Assessoria de Comunicação Social da PM, que destacou o passo importante dado com a formação do grupo de trabalho. “No momento que estamos dando esse passo, estamos dizendo que vamos ouvi-las. Nós precisamos dar as mãos umas às outras. Chegamos aqui por conta de mulheres que lutaram lá atrás. Nesse contexto, temos que virar essa chave e fortalecer, cada vez mais, as novas gerações. Um fluxo dentro da corporação para atendimento às mulheres que precisem de apoio e assistência”, frisou a tenente-coronel.

Fonte: Agência Pará

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