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EUA e Irã anunciam novos ataques em disputa pelo Estreito de Ormuz

Últimos bombardeios contra o Irã tinham como alvo a capacidade do país de "ameaçar a navegação livre no Estreito de Ormuz"

Uziel por Uziel
9 de julho de 2026
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EUA e Irã anunciam novos ataques em disputa pelo Estreito de Ormuz

Estados Unidos e Irã anunciaram ataques nesta quinta-feira (9), pelo segundo dia consecutivo, em sua disputa para definir quem estabelecerá as condições de navegação no Estreito de Ormuz.

A via marítima, uma área vital para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito consumido no planeta, é um foco de tensão recorrente no conflito.

O Irã insiste que pretende controlar a passagem pelo estreito, cujo tráfego não foi submetido a qualquer tipo de pedágio antes dos ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, que desencadearam a guerra.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quinta-feira que Ormuz será plenamente aberto sob “disposições iranianas”. O governo dos Estados Unidos defende a liberdade de navegação, sem cobrança de pedágios ou tarifas para atravessar Ormuz.

Bases americanas atacadas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que considerava a trégua encerrada após a primeira troca de ataques na quarta-feira. Mas horas depois, ele abriu a possibilidade de obrigação com o diálogo.

Segundo as forças americanas, os últimos bombardeios contra o Irã tinham como alvo a capacidade do país de “ameaçar a navegação livre no Estreito de Ormuz”, depois dos recentes ataques contra navios comerciais na via.

Um comunicado militar afirma que 90 alvos militares iranianos foram atingidos em ataques contra os sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e drones.

Os ataques americanos nos últimos dois dias deixaram 14 mortos e 78 feridos, informou o Ministério da Saúde do Irã. “Entre os feridos, 47 continuam hospitalizados”, afirmou Hossein Kermanpur, porta-voz da pasta.

A Guarda Revolucionária Iraniana, o exército ideológico do país, anunciou que atingiu bases americanas no Bahrein e no Kuwait nesta quinta-feira em resposta às ações das forças de Washington.

O Exército oficial do país também reivindicou ataques contra alvos no Kuwait, Catar e Bahrein, três monarquias do Golfo aliadas dos Estados Unidos.

“Os ataques do Exército da República Islâmica do Irã contra bases americanas na região atingiram um sistema Patriot de interceptação de mísseis no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível no Bahrein, com um grande número e variedades de drones militares”, afirmou a imprensa estatal.

A imprensa iraniana também informou que os bombardeios americanos atingiram uma ponte ferroviária no nordeste do país.

Segundo a televisão pública, os ataques forçaram a suspensão do serviço ferroviário entre Teerã e Mashhad, cidade em que está prevista para esta quinta-feira o enterro do ex-líder supremo Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia da intervenção israelense-americana, em 28 de fevereiro.

Também foram divulgados aviões de guerra sobre a ilha iraniana de Kish e várias explosões que sacudiram as cidades portuárias de Bandar Abbas, Konarak e Shabahar, segundo a agência oficial de notícias IRNA.

“Isto é uma retaliação pelo bombardeio de navios de ontem por parte do Irã. Se voltar a acontecer, será muito pior”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

Na noite de quarta-feira, Trump declarou no avião presidencial Air Force One que a parte iraniana telefonou para ele porque queria chegar a um acordo. O presidente americano não revelou detalhes sobre a ligação, mas questionou um possível acordo ao afirmar que os iranianos estão “um pouco loucos”.

Controle do Estreito de Ormuz

Desde os bombardeios contra o Irã ou que desencadearam uma guerra, Teerã insistiu em controlar o Estreito de Ormuz e em cobrar pedágio pela passagem, sob a ameaça de atacar os navios que se desviassem da rota autorizada.

As forças de Teerã atacaram pelo menos três navios nos últimos dias, o que provocou os bombardeios americanos de terça e quarta-feira. Oito militares iranianos morreram nestes ataques.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “medidas imediatas para reduzir a tensão” e a retomada do diálogo.

O Irã afirmou que seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman al Thani, conversaram por telefone na quarta-feira e “ressaltaram a importância de usar meios diplomáticos para resolver os problemas regionais”.

Marinheiros bloqueados

Omã, na margem sul do Estreito de Ormuz, condenou os ataques contra o Bahrein e o Kuwait, assim como contra os navios, mas sem responsabilizar o Irã.

O país, que atuou como mediador entre Washington e Teerã, não atribuiu ao Irã a responsabilidade pelos ataques durante a guerra, com o objetivo de manter sua neutralidade, testou nas negociações sobre o controle de Ormuz.

Washington exige tráfego livre no estreito, enquanto o Irã insiste em cobrar pedágios e negar permissão de passagem pelas águas de Omã.

Os três navios atacados na terça-feira navegaram perto da costa de Omã. O tráfego marítimo havia sido retomado de maneira tímida após a assinatura do protocolo de acordo de junho entre Washington e Teerã para acabar com as hostilidades.

Quase 6.000 marinheiros iniciaram bloqueios na região, informou na quarta-feira a Organização Marítima Internacional.

Por Agência AFP

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