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Home Meio Ambiente

Entidades criticam urgência de projeto sobre crimes ambientais

Texto no Congresso dificultaria ação imediata contra infratores

Fabíola Cristiane de Almeida de Souza por Fabíola Cristiane de Almeida de Souza
19 de março de 2026
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Entidades criticam urgência de projeto sobre crimes ambientais

Ambientalistas, movimentos sociais e representantes do setor privado criticam a decisão da Câmara dos Deputados de aprovar, no início desta semana, a urgência para a votação do Projeto de Lei 2.564/2025, que altera a Lei de Crimes Ambientais. O texto é de autoria do deputado Lucio Mosquini (MDB-RO).

Segundo o Observatório do Clima – que reúne organizações socioambientais, institutos de pesquisa e movimentos sociais -, uma possível mudança na lei representará a perda do principal instrumento de combate ao crime ambiental no país.

Atualmente, órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) usam sistemas de monitoramento remoto, em conjunto com dados públicos, para identificar áreas com sinais de desmatamento ilegal.

A partir deste monitoramento, podem aplicar embargos como medida cautelar. Isso significa que as atividades naquela área devem ser temporariamente paralisadas para impedir a continuidade dos danos. Na sequência, um processo administrativo é instaurado e contempla as etapas de vistoria, notificação, contraditório e ampla defesa.

Caso a nova lei seja aprovada, o possível infrator terá de ser notificado previamente, apresentar esclarecimentos e, somente depois, será permitida a aplicação dos embargos. Para o Observatório do Clima, isso representa um obstáculo à atuação imediata do Estado.

“Em uma comparação nada exagerada, a proposta equivale à Polícia Federal ser obrigada a avisar um banqueiro acusado de fraude bilionária de que ele está sendo investigado por fraude bilionária, de forma que tenha tempo de arquitetar sua defesa enquanto continua a cometer a fraude bilionária. Um escárnio – e, no caso em questão, com consequências nefastas para o meio ambiente”, diz trecho da nota do Observatório.

Ambientalistas defendem a Lei 9.605, de 1998, que versa sobre crimes ambientais, como a principal referência de proteção de flora, fauna, ordenamento urbano e instituições ambientais. Também reforçam que o uso de geotecnologias e monitoramento remoto está consolidado no Brasil, por ser confiável, baseado em dados auditáveis, séries históricas e metodologias científicas.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – movimento composto por mais de 450 representantes do setor privado, sociedade civil, academia e setor financeiro –, disse estar preocupada com a decisão de acelerar a tramitação do projeto de lei.

“Defendemos que mudanças dessa relevância, sobretudo em instrumentos centrais da fiscalização ambiental, sejam conduzidas com base em evidências, debate público qualificado e avaliação cuidadosa de seus impactos jurídicos e operacionais”, diz trecho da nota.

O grupo entende que a tramitação em regime de urgência reduz o espaço para a construção de soluções tecnicamente robustas e politicamente equilibradas, “aumentando o risco de insegurança jurídica, judicialização e perda de efetividade na resposta estatal ao desmatamento ilegal”.

É preciso, de acordo com a Coalizão, consolidar os instrumentos já existentes de combate aos crimes ambientais e que a efetividade deles deve ser ampliada. A capacidade do Estado de prevenir e conter ilícitos ambientais não pode ser comprometida, diz a nota.

O embargo administrativo é defendido como meio eficaz de prevenção: interrompe a continuidade da infração, evita a consolidação do dano e resguarda a recuperação ambiental.

Fonte: Agência Brasil

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