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Estado articula ações para fortalecer a cadeia produtiva e a competitividade do açaí

Reconhecido em território nacional, o fruto amazônico é tema de debate entre setor público e iniciativa privada para superar gargalos logísticos e ampliar a exportação

Fabíola Cristiane de Almeida de Souza por Fabíola Cristiane de Almeida de Souza
11 de março de 2026
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Estado articula ações para fortalecer a cadeia produtiva e a competitividade do açaí

A cadeia produtiva do açaí, um dos pilares da bioeconomia amazônica, tem sido pauta de articulação entre o setor público e a iniciativa privada por meio das Mesas Executivas do Açaí, iniciativa coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas). O espaço reúne empresas beneficiadoras, especialistas e instituições de apoio para discutir desafios estruturais e construir soluções que ampliem a competitividade do produto no mercado nacional e internacional.

O debate ganha ainda mais relevância diante do reconhecimento do açaí como fruta nacional do Brasil, estabelecido pela Lei nº 15.330, de 2026. A medida reforça a identidade do fruto amazônico como patrimônio brasileiro e fortalece a cadeia produtiva ligada ao produto, além de ampliar a proteção contra práticas de biopirataria.

Típico da região amazônica, o açaí é fruto do açaizeiro e possui múltiplos usos econômicos. Sua polpa é amplamente utilizada na alimentação e também na indústria de cosméticos, enquanto as sementes podem ser aproveitadas em artesanato e como fonte de energia, substituindo a madeira em alguns processos produtivos.

Para o secretário de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade, Raul Protázio, o reconhecimento nacional reforça a importância de fortalecer a governança da cadeia produtiva do fruto. “O açaí é um dos principais símbolos da bioeconomia do Pará e tem enorme relevância econômica, social e cultural para o Estado. As mesas executivas criam um espaço estratégico de diálogo entre governo, empresas e instituições parceiras para identificar desafios e construir soluções que ampliem a competitividade do produto nos mercados nacional e internacional”, destacou.

Articulação para superar desafios da cadeia produtiva

Criada em 2025, a Mesa Executiva do Açaí foi estruturada como um instrumento de articulação público-privada voltado à identificação de gargalos estratégicos da cadeia produtiva e ao encaminhamento de soluções técnicas e institucionais.

O modelo reúne representantes da chamada “vanguarda produtiva” do setor, além de instituições parceiras, como o Centro de Empreendedorismo da Amazônia (CEA) e o projeto Amazônia 2030.

De acordo com a consultora das Mesas Executivas do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, Amanda Martins, a iniciativa atua como um espaço de convergência entre diferentes atores da cadeia produtiva. “A Mesa Executiva permite um diálogo democrático entre instituições, mediando possíveis conflitos de interesse e construindo pontes de conexão entre os diferentes atores do setor. Essa articulação facilita a identificação de desafios comuns e a construção de soluções coletivas para fortalecer o açaí no mercado nacional e internacional”, afirmou.

Ao longo do primeiro ciclo de trabalho, realizado entre maio e dezembro de 2025, foram criadas frentes temáticas voltadas a assuntos considerados prioritários para o setor. Entre os temas debatidos estão a certificação fitossanitária para exportação, a criação de códigos específicos para o produto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), estratégias de promoção internacional e o levantamento de dados mais precisos sobre produção e processamento do açaí.

Segundo a secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, o espaço tem permitido avançar na construção de soluções estruturais para o setor. “A Mesa Executiva cria um ambiente de diálogo qualificado entre o setor produtivo e o poder público. A partir desse espaço conseguimos mapear gargalos técnicos, regulatórios e logísticos e avançar em propostas concretas que contribuam para fortalecer toda a cadeia do açaí”, explicou.

Ampliação de mercados e fortalecimento da bioeconomia

Outro avanço discutido é a criação de códigos próprios para o açaí na Nomenclatura Comum do Mercosul. Atualmente, a ausência dessa classificação específica dificulta a consolidação de estatísticas confiáveis sobre exportações e limita a formulação de políticas comerciais voltadas ao setor.

Para Camille Bemerguy, a organização de informações mais precisas sobre o setor também contribui para orientar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da bioeconomia. “Quando conseguimos estruturar melhor os dados sobre a cadeia produtiva, criamos condições para planejar políticas públicas mais eficazes e ampliar o valor agregado dos produtos da sociobiodiversidade amazônica”, afirmou.

Segundo Amanda Martins, um dos pontos estratégicos discutidos no âmbito da Mesa é justamente o fortalecimento da base de informações da cadeia produtiva. “O fortalecimento de dados sobre produção, processamento e mercado é essencial para orientar políticas públicas e estratégias de exportação. Também é importante avançar em temas sanitários e regulatórios, como os debates sobre padrões de qualidade, que impactam diretamente a reputação do produto”, destacou.

Sustentabilidade e novas oportunidades econômicas

A promoção internacional do açaí também integra a agenda estratégica da Mesa. Os participantes defendem a construção de uma narrativa conjunta para o produto amazônico, destacando atributos como origem nativa, sustentabilidade e o papel das comunidades extrativistas na cadeia produtiva.

Nesse contexto, surgem oportunidades de agregação de valor ao fruto amazônico. “A construção de uma narrativa internacional que destaque os atributos nutricionais, socioambientais e culturais do açaí amazônico contribui para posicionar o produto de forma mais estratégica nos mercados internacionais e ampliar os benefícios econômicos para empreendimentos e comunidades da região”, explicou Amanda Martins.
Outro tema discutido nas reuniões recentes foi o aproveitamento do caroço do açaí – resíduo gerado no beneficiamento da fruta – que pode ser utilizado em diferentes aplicações, como fonte de energia ou matéria-prima para novos produtos.

Para Raul Protázio, a experiência da Mesa Executiva demonstra o potencial do modelo como ferramenta de governança para o fortalecimento da bioeconomia no Estado. “Esse modelo permite construir soluções coletivas para desafios estruturais das cadeias produtivas. O objetivo é fortalecer atividades que geram renda, valorizam a floresta em pé e ampliam as oportunidades de desenvolvimento sustentável no Pará”, ressaltou.

Fonte: Agência Pará

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