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Galípolo: BC tem margem para avaliar impactos da guerra sobre o Brasil

Conflito no Oriente Médio amplia incertezas sobre inflação

Fabíola Cristiane de Almeida de Souza por Fabíola Cristiane de Almeida de Souza
27 de março de 2026
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Galípolo: BC tem margem para avaliar impactos da guerra sobre o Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quinta-feira (26) que ainda é preciso ter tempo para entender os impactos da guerra no Oriente Médio na inflação e no crescimento da economia brasileira. 

Segundo ele, a política monetária conservadora e contracionista do BC ao longo do último período deixou o país em uma posição melhor para lidar com o cenário de choque de oferta ocasionado pelo conflito.

“A parcimônia, a serenidade e o conservadorismo do Banco Central ao longo do final de 2024, no ano de 2025 e agora no início de 2026 concedem ao Banco Central a possibilidade de tomar mais tempo para poder entender quais são os desdobramentos desse conflito”, disse Galípolo durante entrevista coletiva em Brasília, após a divulgação do Relatório de Política Monetária do BC.

O atual choque de oferta, ocasionado pelo bloqueio do estreito de Ormuz, no Oriente Médio, após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, tem levado a um aumento nos preços do petróleo e derivados.

“Quando a gente olha para o início do conflito, olhando para a curva de petróleo, para a precificação, talvez a gente possa dizer que o diagnóstico original é de um choque de oferta decorrente de um estrangulamento mais de ordem logística”, disse.

O presidente do BC disse que, atualmente, a sinalização dos bancos centrais é de que ainda há muita incerteza sobre os efeitos da guerra na economia global, mas que o impacto esperado é de redução no crescimento econômico e aumento da inflação.

“Parece que vem ganhando uma interpretação de que hoje esse é um choque de oferta, que não afeta mais simplesmente uma questão logística, relativa a fechar o estreito de  Ormuz, mas que afeta logística e capacidade produtiva também”, acrescentou.

Galípolo citou momentos anteriores em que houve choque de oferta, a exemplo da pandemia da covid-19, a guerra da Ucrânia e a guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos.

“Até porque você tem um consenso dos banqueiros centrais de que um choque de oferta tende a produzir inflação para cima e crescimento para baixo. Nesse cenário, o que acaba acontecendo é que o intervalo de confiança para as projeções se amplia e a confiança que a gente tem em uma projeção se reduz”, acrescentou.

Crescimento da economia

Nesta quinta-feira, o BC divulgou o seu Relatório de Política Monetária, no qual manteve em 1,6% a projeção de crescimento da economia em 2026. O dado para o PIB é referente ao primeiro trimestre deste ano, sendo o mesmo valor daquele divulgado no relatório de dezembro.

A autarquia destaca, entretanto, que a atual previsão para o Produto Interno Bruto (PIB – soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país) está sujeita a “maior incerteza” diante dos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio.

“Se prolongado [o conflito], seus impactos predominantes no país e no exterior devem ser consistentes com um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e reduzindo o crescimento, ainda que alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar”, diz o relatório do BC.

Fonte: Agência Brasil

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