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Mendonça tira tornozeleiras de ex-integrantes do governo Bolsonaro no caso INSS

Ex-ministro José Carlos Oliveira e ex-diretor Pedro Alves Corrêa Neto foram beneficiados em revisão de cautelares

Uziel por Uziel
9 de setembro de 2026
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Mendonça tira tornozeleiras de ex-integrantes do governo Bolsonaro no caso INSS

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) a retirada das tornozeleiras eletrônicas de dois ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

Foram beneficiados José Carlos Oliveira, atual Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, que presidiu o INSS e depois comandou o Ministério do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro, e Pedro Alves Corrêa Neto, que ocupou cargos no Ministério da Agricultura e foi diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro entre 2021 e 2022.

As decisões fazem parte de uma revisão mais ampla das prisões e medidas cautelares impostas na Operação Sem Desconto. Mendonça também determinou nesta terça-feira (8) a soltura de investigados que estavam presos preventivamente e flexibilizou restrições impostas a outros alvos.

No caso de Oliveira e Pedro Alves, a retirada das tornozeleiras não significa o fim das medidas cautelares. Continuam valendo restrições como a proibição de contato com outros investigados, de deixar o país e de frequentar determinadas entidades relacionadas à investigação.

As decisões foram tomadas depois da conclusão dos primeiros inquéritos da Polícia Federal sobre o esquema. Mendonça sustentou que o avanço das investigações, a coleta das provas e o afastamento dos investigados de posições que poderiam permitir interferência na apuração reduziram a necessidade das medidas mais severas.

Ex-ministro foi presidente do INSS durante governo Bolsonaro

José Carlos Oliveira ocupou posições centrais justamente no órgão em que funcionou o esquema investigado pela PF. Antes de assumir o ministério, foi diretor de Benefícios e presidente do INSS.

Em março de 2022, Bolsonaro o nomeou ministro do Trabalho e Previdência. Oliveira permaneceu no primeiro escalão até o fim daquele governo.

A Polícia Federal apontou o ex-ministro como uma das peças relevantes do núcleo que teria permitido a atuação da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) no INSS. A investigação também identificou indícios de que ele teria recebido R$ 100 mil relacionados ao esquema.

Oliveira nega envolvimento nas fraudes.

O ex-ministro já havia escapado da prisão preventiva em novembro de 2025. Na ocasião, Mendonça não acolheu o pedido de prisão apresentado pela PF e determinou que ele fosse submetido a medidas cautelares, entre elas justamente o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A decisão provocou questionamentos na CPMI do INSS. Parlamentares chegaram a cobrar explicações para a diferença de tratamento entre Oliveira e outros investigados que tiveram as prisões autorizadas.

Agora, quase dez meses depois, Mendonça retirou também o monitoramento eletrônico.

Pedro Alves comandou órgão do Ministério da Agricultura

Pedro Alves Corrêa Neto também ocupou cargos de direção na administração Bolsonaro. Entre 2019 e 2021, foi secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura.

Em abril de 2021, a então ministra Tereza Cristina o empossou como diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, órgão que naquele momento estava subordinado ao Ministério da Agricultura. Ele permaneceu no comando durante 2022.

Documentos oficiais daquele período registram Pedro Alves como diretor-geral do órgão durante a Presidência de Jair Bolsonaro.

Segundo as investigações sobre o INSS, Pedro Alves teria recebido mais de R$ 1 milhão entre 2022 e 2024 por meio de empresas controladas por um operador ligado à Conafer. A suspeita da PF é de que os pagamentos estivessem relacionados à atuação em favor de interesses da entidade dentro do governo. As imputações ainda dependem de julgamento.

O relatório final da CPMI do INSS também registrou que Pedro Alves ocupou diferentes posições no Ministério da Agricultura antes e depois do governo Bolsonaro, incluindo o comando do Serviço Florestal entre 2021 e 2022.

Mendonça revisa cautelares em série

As retiradas das tornozeleiras ocorreram na mesma rodada em que Mendonça flexibilizou medidas contra outros investigados.

O ministro mandou soltar o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, preso preventivamente desde novembro de 2025, e Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, contador da Conafer. Nos dois casos, a prisão foi substituída por tornozeleira eletrônica e outras cautelares.

Mendonça também reduziu restrições contra outros alvos da investigação.

A movimentação ocorre no momento em que o STF enfrenta uma crise em torno da condução das investigações relatadas por Mendonça e discute internamente o futuro dos processos relacionados ao INSS e ao Banco Master.

Os processos da Operação Sem Desconto estavam praticamente sem movimentações públicas desde fevereiro. Com a conclusão dos primeiros inquéritos pela PF, Mendonça iniciou uma revisão das prisões e cautelares impostas aos investigados.

As decisões desta terça-feira mostram que essa revisão já alcançou dois nomes que ocuparam cargos relevantes no governo Bolsonaro — justamente o presidente que indicou Mendonça ao Supremo em 2020.

Por ICL Noticias Via Portal Metropolitano

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