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Mês da mulher: Servidoras cientistas promovem qualificação da gestão

Mulheres que aliam o conhecimento acadêmico para desenvolver projetos concretos e melhorar a vida da população em Belém. Ellen Eguchi, Bárbara Paiva e Paloma Mendes são destaque na produção de conhecimento e medidas concretas para a cidade

Fabíola Cristiane de Almeida de Souza por Fabíola Cristiane de Almeida de Souza
10 de março de 2026
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Mês da mulher: Servidoras cientistas promovem qualificação da gestão

Em fevereiro e março, quando o calendário marca o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (11 de fevereiro) e o Dia Internacional da Mulher (8 de março), a Prefeitura Municipal de Belém homenageia as mulheres cientistas que são servidoras municipais. Entre relatórios, visitas técnicas, diagnósticos e políticas públicas, essas servidoras traduzem o conhecimento científico em ação cotidiana na cidade.

Entre as servidoras cientistas, estão as pesquisadoras Bárbara Souza Paiva, Paloma Mendes e Ellen Eguchi, profissionais que carregam da universidade para o serviço público, o compromisso com o método, a investigação e a produção de dados. Na rotina delas, a ciência não é conceito abstrato — é ferramenta de trabalho.

Antes de qualquer resultado prático, há um caminho silencioso. O trabalho empírico — sustentado por observação, experimentação e coleta de dados reais — nasce de um percurso que envolve pesquisa bibliográfica, construção teórica e aprofundamento conceitual. É desse terreno, muitas vezes invisível, que emergem diagnósticos, planejamentos e propostas que impactam diretamente a população.

Com bases consolidadas na formação acadêmica, as três servidoras desenvolvem pesquisas e aplicam metodologias científicas no contexto municipal, conectando teoria e prática. O conhecimento produzido na universidade ganha desdobramentos concretos em Belém, fortalecendo políticas públicas e qualificando a gestão.

Dedicação aos cuidados e proteção da natureza

Uma dessas profissionais é a veterinária Ellen Eguchi, diretora do Bosque Rodrigues Alves. À frente do parque zoobotânico, ela é responsável pela manutenção de toda a área, além de firmar parcerias para o tratamento de animais e realizar o pronto atendimento da fauna urbana resgatada por órgãos ambientais, entre outras atribuições.

Professora universitária há nove anos em uma universidade particular de Belém, Eguchi possui doutorado em Saúde e Produção Animal na Amazônia pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Segundo a diretora, há diferenças significativas entre a forma de pensar de um cientista e de alguém que não atua na área da pesquisa.

“São dois mundos diferentes. A cabeça de um cientista funciona diferente das outras pessoas, pois está sempre questionando, testando ideias e buscando explicações baseadas em conceitos e evidências, enquanto muitos se contentam apenas com a prática”, afirma.

Atualmente, Eguchi integra duas pesquisas acadêmicas: “Contribuição ao estudo morfofisiopatológico de animais silvestres da região Amazônica” e “Atendimento Clínico-Cirúrgico e Manejo em Cativeiro de Animais Selvagens oriundos do Campus e Instituições parceiras”.

De acordo com a diretora, a trajetória científica teve papel fundamental para ela assumir a gestão do parque. “Minha ampla pesquisa acadêmica foi determinante para que eu virasse diretora do Bosque”, destaca.

Conhecimento científico para enfrentar emergências climáticas

Outra pesquisadora que atua na gestão municipal é a geógrafa Bárbara Paiva. Ela é mestre em Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia e especialista em Geoprocessamento e Análise Ambiental pelo Núcleo de Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará (NUMA/UFPA). Atualmente, cursa doutorado em Ciência: Desenvolvimento Socioambiental no Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA).

O instituto da UFPA possui nota 7 na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a maior avaliação concedida pela instituição, que, entre outras atribuições, avalia cursos de pós-graduação.
Bárbara utiliza o conhecimento científico desenvolvido na universidade para atuar como pesquisadora e assessora técnica na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém (Semma). A partir das pesquisas teóricas, ela criou sete projetos de adaptação e mitigação às mudanças climáticas, pensados para serem implementados na capital paraense com o uso de Soluções baseadas na Natureza (SbN).

Entre as iniciativas está o programa Belém Adaptada e Resiliente, que prevê o plantio de 1 milhão de mudas e árvores. A proposta se configura como uma estratégia carro-chefe da secretaria para enfrentar a emergência climática no município.

Para a pesquisadora, o conhecimento científico é essencial para a criação de políticas públicas eficazes.
“Enquanto pesquisadora, eu sempre achei que não devemos nos limitar a escrever e publicar artigos, mas também aplicar, na prática, o que foi aprendido, desenvolvendo projetos que impactam a sociedade”, afirma.

A servidora destaca ainda que os trabalhos desenvolvidos por ela na Semma estão diretamente ligados à trajetória acadêmica. Segundo Bárbara, a academia é fundamental para a construção de ações concretas, pois permite basear os projetos em conceitos, metodologias e parâmetros nacionais e internacionais.

“A universidade nos mune de informações técnicas e científicas e, assim, a possibilidade de errar em um trabalho é bem menor do que tirar um projeto apenas da nossa ‘cabeça’. Nos baseamos em pesquisas já realizadas em outros locais para comparar dados e informações conceituais”, completa a doutoranda.

A terapeuta ocupacional Paloma Mendes tem se consolidado como uma das referências em iniciativas voltadas à inclusão e à assistência às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com trajetória marcada pela atuação científica e pela gestão pública, ela reúne três especializações: em saúde mentalm pela Universidade Estadual do Pará (UEPA); em TEA, pela Faculdade Integrada da Amazônia (Finama); e em integração sensorial, pela Universidade do Sul da Califórnia.

Ao longo da carreira, Paloma tem atuado diretamente na criação e desenvolvimento de processos e projetos inclusivos. Entre as iniciativas, está a criação de um laboratório de capacitação profissional voltado ao autismo dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece assistência e formação para profissionais da área.

O trabalho inovador rendeu reconhecimento. Paloma Mendes está entre os 18 vencedores da edição do Innovators Under 35 Brasil 2025, premiação internacional que destaca os jovens mais inovadores do país com menos de 35 anos. O reconhecimento internacional foi concedido pelo projeto Centro Especializado em Autismo.

Paloma Mendes é titular da Secretaria Municipal de Inclusão e Acessibilidade (Semiac), onde atua no desenvolvimento de ações, programas e projetos voltados a tornar Belém uma cidade cada vez mais acessível. Segundo ela, as iniciativas da secretaria são guiadas por pesquisas e diretrizes científicas, aproximando o conhecimento produzido nas universidades da sociedade.

Para a secretária, a ciência é a base de todas as decisões e projetos desenvolvidos na gestão pública.
“O trabalho científico faz a gente colocar na prática projetos com evidências científicas. Quando penso em um projeto da prefeitura me baseio em evidências teóricas. Não tem como realizar projetos efetivos sem base científica, sem fundamentos conceituais. Por isso, enquanto gestora, a minha base acadêmica é fundamental para desenvolver projetos para Belém”, afirma.

Fonte: Agência Belém

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